Memórias Impressas da AutogestãoOcupações, greves e autogestão · Portugal, 1974
Lisboa, 1974. Uma fábrica ocupada é uma pergunta feita em voz alta.

Recordar quem tomou o trabalho nas próprias mãos.

Uma coleção digital de notícias do Diário de Lisboa e d’O Combate sobre as ocupações, greves e experiências de autogestão que se seguiram ao 25 de Abril. Guardar estas páginas é uma forma de contrariar o silêncio: a memória do que os trabalhadores fizeram continua a interpelar o presente.


Um percurso em quatro passos

O site está organizado como uma narrativa: primeiro o que aconteceu, depois como foi noticiado, como foi recuperado e o que pode fazer com este material.


Porquê “não-notícia”?

Estas experiências nunca estiveram ausentes da imprensa — foram obscurecidas por acontecimentos de maior impacto político. Reuni-las devolve-lhes continuidade e diversidade.

Memória como ação

Tornar público o que estava disperso é um gesto: transforma o conhecimento histórico em património vivo e abre espaço a reflexões sobre cidadania, participação e autonomia.

Fontes abertas

Todos os itens ligam ao original no Omeka S. Os conjuntos de dados são descarregáveis e a metodologia é documentada passo a passo.

O projeto

Esta coleção digital pretende dar visibilidade à memória das trabalhadoras e dos trabalhadores que, movidos por um forte sentido coletivo, contestaram decisões patronais e assumiram o controlo dos seus próprios locais de trabalho.

Longe de constituírem episódios isolados, estas experiências integraram um movimento social mais amplo, protagonizado pela classe trabalhadora e disseminado por diversas regiões do continente europeu. O projeto inscreve-se no âmbito do Mestrado em Curadoria e Humanidades Digitais da NOVA FCSH, tendo sido desenvolvido por João Pedro Oliveira.


Objetivos da coleção digital

Preservação e contextualização da memória da autogestão

A criação desta coleção digital assume-se como um objetivo central do projeto, ao propor uma plataforma dedicada à contextualização e à acessibilidade da memória impressa do movimento autogestionário em Portugal. Apesar da extensa produção científica existente e da relevância social e política destas experiências no período pós-revolucionário, verifica-se a inexistência de uma coleção digital estruturada que reúna, de forma sistemática, as fontes jornalísticas relativas à autogestão e às ocupações.

A coleção procura, assim, colmatar esta lacuna, utilizando as notícias como veículos privilegiados para perspetivar a evolução histórica destes movimentos.

Combate à lógica da “não-notícia”

Outro objetivo fundamental consiste em contrariar a lógica da chamada “não-notícia”. Ao identificar, organizar e disponibilizar notícias relativas a experiências de autogestão e de ocupação, a coleção assume um papel ativo na valorização destas fontes enquanto registos históricos relevantes.

Defende-se que, embora inseridas num contexto de elevada conflitualidade social e complexidade política e económica, estas experiências nunca estiveram ausentes da cobertura jornalística, tendo antes sido obscurecidas por uma sucessão de acontecimentos de forte impacto político. A coleção procura inverter essa perspetiva, revelando a continuidade e a diversidade dessa cobertura mediática.

Valorização cultural e democratização da memória coletiva

Do ponto de vista cultural e social, a coleção assume um papel de valorização e democratização da memória coletiva. Ao recuperar experiências de autogestão que se encontravam dispersas, fragmentadas ou invisibilizadas, contribui para reforçar a perceção da pluralidade de formas de organização social e laboral que marcaram o período pós-25 de Abril.

O acesso público às fontes transforma o conhecimento histórico em património vivo, promovendo reflexões contemporâneas sobre cidadania, participação coletiva e autonomia social.

Recurso pedagógico para o ensino e a aprendizagem

No plano pedagógico, a coleção constitui um recurso inovador para docentes e estudantes, permitindo a integração de exemplos históricos concretos em contextos de ensino formal e informal. A apresentação estruturada e contextualizada das notícias, greves e ocupações facilita uma compreensão mais próxima e experiencial dos processos de participação coletiva, controlo operário e organização do trabalho, promovendo uma educação crítica sobre história social, trabalho e cidadania.

Apoio à investigação académica e à produção de conhecimento

Do ponto de vista académico, a coleção visa facilitar o acesso imediato a fontes primárias, bem como a pesquisa simples ou avançada através dos seus metadados. Esta estrutura permite análises comparativas, a identificação de padrões de ação coletiva e o estudo das relações entre práticas laborais, ocupações e dinâmicas sociopolíticas.

Ao possibilitar o cruzamento de dados, a triangulação de informações e a formulação de novas interpretações, a coleção contribui para o desenvolvimento de conhecimento crítico e para a renovação da investigação historiográfica sobre a autogestão em Portugal.


O que esta coleção possui

A coleção organiza-se em secções concebidas para orientar o utilizador na compreensão do projeto, das suas opções metodológicas e do conjunto de fontes disponibilizadas.

Contextualização

Enquadramento histórico, social e político do movimento de autogestão em Portugal.

Metodologia

Critérios de seleção das fontes, organização dos dados e processos de tratamento da informação.

Cronologia das notícias

Leitura temporal dos acontecimentos, mês a mês, para acompanhar a evolução das experiências.

Notícias

O conjunto de notícias selecionadas, apresentadas como fontes primárias que documentam ocupação, autogestão e organização coletiva.

Memória audiovisual

Reportagens e registos televisivos da RTP (1974–1979) que complementam a documentação escrita.

Dados

Informação estruturada e metadados para análises quantitativas, comparativas e cruzamentos.

Bibliografia

Referências que sustentam teoricamente a coleção e oferecem pistas para investigação futura.

Contactos

Contactos do autor para dúvidas, sugestões ou propostas de colaboração.

Contextualização do fenómeno autogestionário português (1974–1982)

Uma linha do tempo dos governos, decretos e acontecimentos que enquadraram — e depois regularam, limitaram ou tentaram extinguir — as empresas em autogestão.

Metodologia

Como se chegou destas páginas de jornal a uma coleção pesquisável: cinco etapas, cada uma com os seus critérios e as suas ferramentas.

Seleção de jornais

Com o objetivo de identificar os periódicos com maior potencial para integração na coleção digital, procedeu-se a uma análise sistemática dos títulos disponíveis na Hemeroteca Digital. A investigação centrou-se nos jornais publicados ao longo do ano de 1974, tendo sido consultados todos os exemplares acessíveis através dessa plataforma. Constatou-se, contudo, um grau reduzido de digitalização.

JornalConsulta pública / números digitalizados

Variáveis de avaliação

  • o grau de digitalização dos jornais, distinguindo entre digitalização total ou parcial;
  • o estado de conservação física dos exemplares, essencial para a sua acessibilidade pública;
  • o intervalo cronológico efetivamente disponível em formato digital e acessível online.

Porque foi necessário alargar o universo de jornais analisados?

Face à escassa cobertura digital dos títulos inicialmente examinados, tornou-se evidente a necessidade de alargar o universo de periódicos analisados, aferindo se os mesmos títulos poderiam ser encontrados com maior completude ou qualidade noutras instituições ou repositórios digitais. Este aprofundamento centrou-se em dois casos: o Diário de Lisboa, pela sua relevância informativa e abrangência temática, e O Combate, título ainda não contemplado na análise inicial, mas de reconhecido valor documental.

Ao conjunto inicial de 25 periódicos foram adicionados os títulos Diário de Notícias, Jornal Novo, O Combate, O Dia, O Diário e Poder Popular. Este mapeamento confirmou a hipótese inicial: existem plataformas alternativas que disponibilizam alguns dos periódicos com melhor qualidade técnica e maior continuidade cronológica.

Periódicos selecionados: Diário de Lisboa e O Combate

Identificaram-se como fontes prioritárias a plataforma Casa Comum, da Fundação Mário Soares e Maria Barroso (FMSMB), no caso do Diário de Lisboa, e a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), no caso d’O Combate. A seleção final baseou-se na extensão cronológica dos acervos digitalizados, na qualidade técnica das digitalizações e na sua relevância para os objetivos do projeto.

O Combate

Primeira edição a 21 de junho de 1974, surgido no seio de um grupo marxista-leninista de carácter clandestino. Afirma-se desde o início como publicação com orientação político-ideológica, ainda que não explicitamente doutrinária: «este jornal não é nem pretende ser o órgão de nenhum partido», estando aberto «sem qualquer sectarismo ao trabalho de todos os progressistas e revolucionários, com ou sem partido». A linha editorial centrou-se na cobertura e análise de ocupações e experiências autogestionárias.

Diário de Lisboa

Jornal que circulou entre 1921 e 1990, uma das publicações mais significativas do século XX em Portugal, com particular relevância na cidade de Lisboa. Integrado no grupo dos diários vespertinos, destaca-se pela diversidade do seu conteúdo, de reportagens generalistas a artigos técnicos e especializados. Digitalizado integralmente pela FMSMB.

Seleção de notícias

No processo de recolha, seleção e análise de notícias pertinentes ao estudo do movimento autogestionário em Portugal, revelou-se essencial a definição de um conjunto rigoroso de critérios analíticos, orientadores da leitura crítica das fontes jornalísticas.

1. Identificação e recolha de peças noticiosas

Peças que relatem episódios historicamente significativos no desenvolvimento do movimento autogestionário nacional, com especial atenção às ações coletivas dos trabalhadores — ocupações de fábricas, empresas, oficinas, tipografias ou quaisquer unidades produtivas — e às tentativas de reorganização da gestão laboral com base em princípios de autogestão.

Porquê? Estes relatos fornecem cronologias, dados objetivos e narrativas que possibilitam a reconstrução dos processos históricos. São elementos de elevado valor heurístico e historiográfico.

2. Reportagens de maior densidade jornalística

Reportagens com comentários, entrevistas e testemunhos diretos de trabalhadores envolvidos nos processos de autogestão ou de ocupação.

Porquê? Permitem aceder ao ponto de vista dos sujeitos históricos diretamente implicados: experiências, perceções, reivindicações, estratégias de resistência, formas de organização e horizontes de expectativa.

3. Comunicados de Comissões de Trabalhadores

Títulos e conteúdos que façam referência explícita a comunicados redigidos e/ou difundidos por Comissões de Trabalhadores (CTs).

Porquê? Estes comunicados, muitas vezes reproduzidos na íntegra, documentam as posições dos coletivos, as críticas à gestão patronal, as propostas alternativas de organização da produção e os conflitos emergentes — instrumentos fundamentais de expressão política da classe trabalhadora.

4. Consequências de modelos autogestionários

Notícias que explorem as consequências laborais, económicas e sociais da implementação concreta de modelos autogestionários, provisórios ou estruturados.

Porquê? Permitem compreender as transformações nas hierarquias internas, nas formas de decisão, nas condições de trabalho, na redistribuição de responsabilidades e na sustentabilidade económica sob gestão operária.

5. Perspetiva comparada ou transnacional

Reportagens que enquadrem o fenómeno autogestionário português numa perspetiva comparada ou transnacional.

Porquê? Inserem o caso português no contexto mais vasto das experiências internacionais, estabelecendo paralelismos, apontando influências ou destacando especificidades.

Seleção de softwares

Esta secção apresenta os critérios e etapas que orientaram a seleção das ferramentas digitais aplicadas ao longo do projeto, fundamentando as escolhas tecnológicas em função das exigências específicas da investigação.

Seleção de CMS para a construção da coleção digital

Tendo em vista a necessidade de integrar, de forma sistemática e eficaz, as notícias selecionadas, foi concebido um quadro analítico estruturado a partir de variáveis definidas nas fases iniciais do projeto. Foram avaliados 88 sistemas de gestão de conteúdos segundo estas variáveis:

  • Abordagem técnica — robustez, adaptabilidade e integração com outras ferramentas.
  • Plataformas disponíveis — sistemas operativos suportados (Windows, macOS, Linux).
  • Tipo de licença e custos associados — código livre versus licenças proprietárias; sustentabilidade financeira e legal.
  • Código aberto — acesso ao código-fonte, personalização futura e transparência técnica.
  • Línguas disponibilizadas — com especial atenção ao português de Portugal.
  • Compatibilidade com o protocolo IIIF — leitura, visualização e interoperabilidade de imagens.
  • Mecanismos de suporte técnico — helpdesk e contacto com equipas técnicas.
  • Comunidade ativa — fóruns, tutoriais, bases de conhecimento e contributos de developers.
  • Importação e exportação de dados — sobretudo de grandes volumes em .csv ou .xlsx.

Após a recolha, o conjunto revelou-se denso, pelo que a amostra foi filtrada pelos melhores indicadores face às variáveis de análise, racionalizando os esforços de teste. A análise comparativa revelou que o Omeka (Classic/S) alcançou pontuação plena em todas as seis características avaliadas, ao lado de Archipelago, CollectiveAccess e DSpace, reforçado pela existência de um fórum comunitário ativo.

A escolha do CMS: o Omeka

Software de código aberto e gratuito, simultaneamente sistema de gestão de conteúdos e plataforma de disseminação. Alinha-se com os princípios da web semântica e da interoperabilidade, estruturado com base em vários esquemas de metadados e ontologias, e permite a aplicação de protocolos como o OAI-PMH, assegurando comunicação com plataformas como a Europeana e a Infraestrutura ROSSIO. A sua modularidade é evidenciada pela integração de diversos plug-ins.

Seleção de OCR para a construção da coleção digital

Foi indispensável identificar e selecionar uma ferramenta de Reconhecimento Ótico de Caracteres orientada por critérios de precisão, adaptabilidade ao tipo de fonte e eficiência na conversão de conteúdos digitalizados em texto editável. Foram analisadas 13 ferramentas segundo estas variáveis:

  • Disponibilidade online — utilização sem instalação local.
  • Suporte multilinguístico — reconhecimento eficaz da língua portuguesa.
  • Compatibilidade com diferentes sistemas operativos.
  • Formatos suportados para importação e exportação.
  • Tipo de licença, custos associados e código aberto.

Processo de filtragem: ferramentas com Windows como principal sistema operativo, licença aberta, sem custos associados e de acesso aberto.

A escolha do OCR: Tesseract

Ferramenta amplamente utilizada para a extração de texto a partir de documentos digitalizados, com suporte a estruturas complexas, como páginas em múltiplas colunas com elevada diversidade gráfica e tipográfica. Permite exportar para formatos editáveis, possibilitando análise, correção e normalização. Os conteúdos reconhecidos foram sujeitos a validação manual — a fiabilidade depende não só das capacidades técnicas da ferramenta, mas da sua parametrização e da intervenção crítica do utilizador. De forma complementar, recorreu-se ao Master PDF Editor exclusivamente para pesquisas por palavras-chave.

Refinamento dos dados extraídos

Após a extração preliminar das notícias do Diário de Lisboa e d’O Combate, tornou-se necessário implementar uma fase de refinamento para assegurar a integridade, legibilidade e consistência do corpus digital.

Problemas identificados

  • Erros de transcrição por OCR: caracteres corrompidos ou mal interpretados.
  • Variações ortográficas e terminológicas que comprometiam a uniformidade.
  • Registos duplicados ou parcialmente repetidos.

Para tratar estes problemas utilizou-se o OpenRefine, recorrendo às funções cluster and edit, Nearest Neighbor e N-gram fingerprint.

Nearest Neighbor

Detetaram-se entradas redundantes com base em similaridade entre títulos, datas e referências. Método Levenshtein com radius 4.0 e block chars 2.0, identificando 5 entradas com inconsistências formais: uso inconsistente de aspas, vírgulas e siglas; sem erros sintáticos complexos, o que confirma a coerência estrutural do corpus.

N-gram fingerprint

Aplicado com radius 2.0 e block chars 2.0 para identificar discrepâncias ortográficas menores. Foram identificados 9 clusters de potenciais irregularidades, que se revelaram falsas duplicações após análise detalhada.

Organização estrutural dos dados

  • Remoção de hífenes sem valor semântico no início dos títulos.
  • Separação da variável “página” dos títulos, usando split into several columns com delimitador vírgula.
  • Uso da expressão value.substring(2) (GREL) para limpar ruído textual.

Refinamento de metadados

Os metadados extraídos estavam concentrados numa única célula, exigindo segmentação. Foram utilizadas expressões regulares no OpenRefine:

value.replace(/(Pasta:|Título:|Número:|Ano:|Data:|Directores:|Director:|Fundo:|Tipo Documental:)/, " $1")

Depois, procedeu-se à junção de colunas com:

cells["Coluna1"].value + " " + cells["Coluna2"].value + " " + cells["Coluna3"].value + " " + cells["Coluna4"].value

A função Nearest Neighbor com o método de Levenshtein mede a semelhança entre palavras pelo número de alterações necessárias: “Auotgestão” e “Autogestão” têm uma distância de 2. O parâmetro radius define quantas alterações são toleradas; o block chars restringe a comparação inicial aos primeiros caracteres de cada palavra, tornando a correspondência mais rápida. O N-gram fingerprint deteta variações formais entre entradas semanticamente equivalentes com pequenas discrepâncias na grafia.

Curadoria das notícias

O primeiro momento de organização e refinamento orientou o caminho para um segundo momento curatorial, de natureza mais aprofundada e analítica, centrado na validação individual de cada notícia incluída no corpus, com base em três critérios que garantem a coerência temática, metodológica e analítica.

  1. Leitura atenta e crítica de cada notícia, verificando a sua relação com o eixo temático central do projeto. Foram eliminadas diversas notícias inicialmente incluídas que, apesar de extraídas com base em palavras-chave, não apresentavam correspondência direta com os objetivos.
  2. Análise comparativa entre o conteúdo de cada notícia e os tópicos previamente definidos para orientar a extração — tendo em conta não apenas o título, mas o conteúdo integral do texto.
  3. Atribuição de uma classificação fixa a cada notícia, em quatro tipologias: Greve total Greve parcial Ocupação ou autogestão Outros casos (incluindo participação dos trabalhadores nos lucros da empresa).

A distinção entre estas categorias permitiu sistematizar e organizar o corpus segundo diferentes modalidades de ação coletiva e negociação laboral. É esta classificação que colore as notícias e a cronologia deste site.

Ver a tabela de curadoria nos dados descarregáveis

Cronologia das notícias

Maio a dezembro de 1974, dia a dia. Escolha um mês para ver o que os jornais noticiaram; clique numa notícia para abrir a ficha.

OcupaçãoGreve totalGreve parcialOutros casos

Notícias

O ano de 1974 marcou um ponto de viragem decisivo. Com o derrube do Estado Novo abriu-se um período de intensas transformações — o PREC — em que os trabalhadores protagonizaram ações coletivas que se materializaram, em muitos casos, na ocupação dos seus próprios locais de trabalho. Esta seleção permite observar o pulsar quotidiano de um país em transformação.

    Memória audiovisual da autogestão (1974–1979)

    Reportagens e registos televisivos dos arquivos da RTP, produzidos entre 1974 e 1979, que documentam experiências de ocupação, autogestão e organização coletiva do trabalho — da indústria à agricultura, dos serviços à cultura.

    Longe de constituírem uma narrativa homogénea, estes registos evidenciam a pluralidade de respostas ensaiadas pelos trabalhadores num contexto de profunda transformação política, social e económica. As imagens e testemunhos permitem acompanhar processos de decisão coletiva, plenários, iniciativas cooperativas e experiências de gestão assumidas diretamente pelos trabalhadores, revelando tanto as expectativas do período revolucionário como os desafios enfrentados na sua concretização.

    Integrados nesta coleção, os vídeos da RTP Arquivos funcionam como fontes primárias audiovisuais, complementando a documentação escrita. Cada ligação abre o registo no site da RTP Arquivos.

      Dados

      Os conjuntos de dados produzidos no âmbito do projeto, resultantes da recolha, análise e curadoria de notícias publicadas no Diário de Lisboa e em O Combate, com especial incidência no ano de 1974 — e os resultados que deles se extraem.

      Resultados

      Os gráficos seguintes são gerados a partir das notícias desta coleção e representam a evolução das formas de luta, o volume de notícias e a distribuição das tipologias.

      Descarregar os dados

      Diário de Lisboa

      • Notícias não refinadas

        Conjunto inicial de notícias recolhidas antes de qualquer processamento.

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      • Notícias refinadas

        Conjunto de notícias após processo de limpeza e normalização.

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      • Metadados

        Metainformação descritiva sobre cada número do periódico.

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      • Curadoria das notícias

        Documentação do processo de seleção, validação e exclusão.

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      • Notícias extraídas, por tipologia

        Ocupações · Greves totais · Outros casos · Greves parciais.

        Ocupações Greves totais Outros casos Greves parciais

      O Combate

      • Notícias d’O Combate

        Conjunto completo de notícias recolhidas do periódico.

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      • Notícias extraídas d’O Combate

        Notícias selecionadas após curadoria.

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      Exportar desta página

      Pode também exportar os metadados das 237 notícias tal como estão neste site (título, data, jornal, forma de luta, palavras-chave, número, página, resumo e notícias relacionadas).

      Bibliografia da coleção digital

      As referências que sustentam teoricamente a coleção, organizadas por área. Use a caixa para filtrar por autor ou título.

      Contactos

      Dúvidas, sugestões, correções ou propostas de colaboração são bem-vindas. Responderei assim que possível.

      Autor

      João Pedro Oliveira
      Mestrado em Curadoria e Humanidades Digitais, NOVA FCSH

      Formulário de contacto (Omeka S)

      Coleção original

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      Licença

      Memórias Impressas da Autogestão, de João Pedro Oliveira, está licenciado sob Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International.